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Às vezes eu acho que é inveja. E, juro, não sei por qual motivo. Não tenho o que causar inveja em outra pessoa. Por isso que, na maior parte das vezes, acho que é pura maldade mesmo.
Às vezes eu acho que é inveja. E, juro, não sei por qual motivo. Não tenho o que causar inveja em outra pessoa. Por isso que, na maior parte das vezes, acho que é pura maldade mesmo.
Sorte de hoje: Boas notícias chegarão por e-mail
Hoje chegaram por MSN.
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E você, sabe distinguir o que é simpatia sincera do que é networking?
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Chega um sms que fala sobre saudade. E, logo depois, outro sms fala sobre encontro e cinema. E eu ignoro. E aí vou eu, mais uma vez, me escondendo naquelas velhas desculpas que uso para quase tudo. E aí vou me acovardando, porque não fui e não deixei vir. Deu preguiça, eu já sabia, e me senti egoísta. E continuo nessa mágoa porque não consigo fazer nada. Eu sei o que é o certo — a gente sempre sabe –, mas eu não consigo permitir ser amada sem amor para dar em troca.
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Como é que a gente coloca um ponto final nas histórias? E nas mentiras?
Pensei que voltar para Goiânia seria um alívio. Não por deixar São Paulo, que eu adoro, mas pensei que seria um alívio extra, por ter aqui a minha família, os meus velhos amigos, o meu velho quarto, a minha velha casa, os meus velhos lugares. Coisas velhas dão alguma impressão de segurança. Mas quando cheguei lembrei que essa casa nunca foi minha de verdade, esse quarto não me pertence. E tudo continua como sempre.
Não senti alívio. Senti, nessa cidade em que morei dez anos, aquele mesmo sentimento de estrangeiro que sinto em São Paulo, onde moro há nove meses. Então percebi que não tenho raizes. Pensei que ter raizes era ter identidade, mas talvez eu não precise de raizes. Nem de identidade. Porque, talvez, se perder também seja se encontrar de alguma maneira.
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Em Goiânia também chove. Metaforicamente ou não.
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Por isso vou pegar um vôo de volta para mais perto do coração.
Quanto tudo parece errado, é sinal de que está na hora de cortar o cabelo. Não dá para mudar a vida? Mude as madeixas. E finja que não é com você.
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Estou me sentindo muito melhor com esses cabelos curtos, como eu.
Digam olá para o meu inferno astral!
Depois que cheguei à conclusão de que minha vida era um videoclipe, acho que já está na hora de assumir outra fase: minha vida virou um seriado. E por causa da recente greve dos roteiristas, para não perder a continuidade, quem assumiu o posto foi o estagiário da contabilidade. E deu no que deu: encontros certos em horas erradas, total falta de timing e de pausa dramática, personagens estranhos aparecendo no meio de cenas absurdas, e outros essenciais que nem deram as caras. Um verdadeiro samba do crioulo doido.
E então a greve acabou, os roteiristas voltaram para o batente, mas o estagiário continuou entusiasmado com a idéia de escrever minha vida. Só que, vamos combinar, o estagiário não tem talento. É amador. Fez uma zona na minha vida e agora eu sinto falta de pessoas que nem existiam mais, sinto falta de quem não deveria, faço o que não poderia fazer, digo o que vem na telha, me empolgo por causas perdidades. Ele bagunçou tudo e ficou assim, completamente sem nexo.
O roteirista anterior, profissional, tinha um senso de humor ímpar. Me meteu em roubadas, mas me salvou no trilho do trem nos últimos segundos, se divertiu muito (que eu sei!) com a vicissitudes que inventou para mim. No final, não sei o que é pior: o estágiágio incompetente ou o roteirista experiente e sádico.
Porque a vida se repete. E os diálogos só mudam de endereço (ou de contexto):
- A gente vai te apresentar pro fulano, Mari. Você vai adorar, ele tem as pernas bacanas, musculosas, é bonito e cafajeste…
- Olha, ele pode ser muito bacana, mas eu não quero ficar com ninguém agora.
- Mas ele…
- Não dá. Eu vou acabar interessada, ele também, depois a gente vai ficar, eu vou ficar mais interessada, ele também, daí a gente vai sair junto, a gente vai se apaixonar, eu vou ficar angustiada esperando ele ligar, e depois ele vai chegar pra mim e dizer que tem namorada, vai aparecer com aliança no dedo, e vai contar que vai morar com ela. E eu vou sofrer tanto. Não aguento mais sofrer. Tá vendo, a gente nem se conhece e eu já estou sofrendo porque acabou.
- Mari, eram só uns beijinhos…
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A verdade é que estou numa difícil missão de conseguir matar um amor. Acabei de passar para a terceira fase. E estou tentando dar o game over.
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Por essas (e outras) é que estou renovando a minha campanha anti-namorado e revitalizando a promoção. Então, vamos lá, garotos. Pra começar, sou geminiana — logo, indecisa. E sou teimosa. Dramática. Impaciente. Tenho TPM. E celulite. Durmo encolhida e posso roubar sua parte do cobertor à noite. Sou grudenta. Quero um filho. Ou dois. Não abro mão de ter um bichinho em casa. Qualquer um. Sou mal humorada e rabugenta.
Gosto de sair. E ouço música o dia inteiro. Alta. Não consigo fazer nada por muito tempo. Deixo toalha molhada em cima da cama. E você aprenda a abaixar a tampa da privada! Falo palavrão, mas até que me controlo na frente de algumas pessoas. Gosto de casa arrumada. Mas entre uma faxina e uma farra, nem lembro da bagunça. Não sei cozinhar. Nem bordar, tricotar ou cerzir suas meias.
Tenho muitos amigos (homens). Odeio briguinhas por ciúme. E sou muito ciumenta. Gosto de demonstrações. Não suporto desprezo, egoísmo ou falta de atenção. Mas te largo falando sozinho por causa de um livro. Tenho horários estapafúrdios. Trabalho como se amanhã fosse o último dos dias e eu tivesse que cobrir o Apocalipse.
Assisto comédias românticas. E gosto. Meu humor muda com a tábua de marés. Ou com o vento. Presto atenção em detalhes. E me importo com eles. Demoro para me arrumar. E quando termino, parece que um furacão passou pelo quarto. Tenho piercings. E vou fazer uma tatuagem. Ex-fumante com recaídas. Durmo pouco. Sou curiosa. Desastrada. Fora de forma. E de fôrma.
Pensamento do dia: ler no ônibus emagrece.
Você se distrai, não vê onde está, passa vários pontos e tem que voltar andando…
Os posts andam cada vez menores e mais escassos por aqui. Daqui a pouco somem de vez. Acho que só consigo escrever mesmo quando estou feliz. Ou triste. Assim, na dúvida, me fogem as palavras…